Você já parou para olhar um exame de ressonância magnética e sentiu que estava tentando decifrar um mapa de outro planeta? Aquelas manchas em tons de cinza, sombras e luzes podem parecer confusas para quem não convive com elas diariamente, mas, para nós, cirurgiões de cabeça e pescoço, elas são o primeiro capítulo de uma estratégia de defesa. Quando um paciente chega ao consultório com um nódulo na tireoide, uma rouquidão que não passa ou uma ferida persistente na boca, meu trabalho começa muito antes de entrar no centro cirúrgico. Começa na interpretação minuciosa desse “mapa”. O GPS da anatomia: Tomografia e Ressonância Imagine que a região do pescoço é um dos metros quadrados mais caros e congestionados do corpo humano. Ali, em um espaço minúsculo, temos a laringe (nossa caixa de voz), a faringe, glândulas salivares, grandes vasos sanguíneos que alimentam o cérebro e nervos delicadíssimos que controlam desde o seu sorriso até a sua capacidade de engolir. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética funcionam como um GPS de alta precisão. Enquanto a tomografia nos dá uma visão excelente das partes “duras” e da extensão do tumor em relação aos ossos, a ressonância é a rainha dos tecidos moles. Ela me mostra se aquele tumor está apenas encostando em um nervo ou se já o envolveu. Por exemplo, em casos de tumores das glândulas salivares (como a parótida), a ressonância é o que me diz se o nervo facial — aquele que permite que você pisque e sorria — está em risco. Sem essa imagem, eu estaria “dirigindo no escuro”. A biópsia: O RG do tumor Se a imagem nos diz onde o inimigo está e qual o tamanho dele, a biópsia nos diz o nome, o sobrenome e o grau de periculosidade desse invasor. Muitas vezes, realizamos a PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina). É um procedimento rápido, quase como uma coleta de sangue, onde usamos uma agulha bem fina para “pescar” algumas células. Em outros casos, como no câncer de boca ou de laringe, precisamos de um fragmento maior. Aqui entra o termo técnico que assusta muita gente: o carcinoma epidermoide. Ele representa a grande maioria dos cânceres nessa região. Saber se estamos lidando com ele ou com um tumor de glândula salivar muda tudo. O plano de ataque para um câncer de tireoide é completamente diferente do plano para um tumor de faringe. A biópsia é o que define se o tratamento será apenas cirúrgico, ou se precisaremos combinar forças com a radioterapia e a quimioterapia. Do diagnóstico ao plano de ataque Pense no caso de um paciente com dificuldade para engolir (disfagia). O exame de vídeoendoscopia mostra uma lesão na laringe. A biópsia confirma a malignidade. A partir daí, a ressonância me mostra que o tumor é pequeno e localizado. Graças a essa precisão diagnóstica, posso optar por uma cirurgia minimamente invasiva, preservando a voz do paciente e evitando grandes incisões externas. Sem esses exames, talvez eu tivesse que propor uma cirurgia muito mais agressiva por segurança. A tecnologia nos permite ser conservadores onde é possível e radicais onde é necessário.
Dr Stefano Fiuza Entenda o procedimento de Tireoidectomia Total
Dr Stéfano Fiúza – Cirurgião de Cabeça e Pescoço
Visc. de Pirajá, 303 – 9º Andar – Ipanema, Rio de Janeiro – RJ, 22410-001
(21) 99402-4000